Padre Graziano projeta melhorias para o campo de futebol da Aphas

Durante a abertura do Campeonato Darci Reinado Dias, o Mantiqueira entrevistou o padre Graziano Cirina, presidente da Associação de Promoção Humana e Ação Social (Aphas), que destacou que tem como meta realizar melhorias no campo de futebol localizado na sede da entidade. Ele destacou ainda a importância das ações realizada pela Aphas e outros diversos assuntos.

 

Mantiqueira - Qual a importância de um evento como este em homenagem ao sr. Darci? Graziano Cirina - Este campeonato é muito especial e queremos que ele tenha a mesma grandiosidade que teve o Darci para a Aphas e para Poços de Caldas. Queremos que esta competição seja parte fixa do calendário esportivo da cidade e que reúna cada vez mais escolinhas. Será ainda uma ação com um propósito mais educativo, mais social. Claro que a vontade de todos que estão jogando é o título, ser campeão, mas o foco principal é a união, a solidariedade, o companheirismo. Este campeonato vem para dar chances paras as crianças e jovens praticarem esporte e buscarem através do futebol um meio para terem um caminho de bem na vida. Esta era a filosofia do Darci, é a minha e espero que seja de todos os participantes.

 

Mantiqueira - A Aphas tem 12 anos e cresce a cada ano. Como o senhor acompanha todo este crescimento da entidade?

 

Padre Graziano Cirina - A Aphas começou com o esporte, com o futebol, numa ideia do Darci, que eu abracei. Se fosse vivo hoje ele ia gostar de ver como cresceu sua ideia, pois temos todas as categorias do futebol, cinco treinadores e muitas crianças. Foi um crescimento impressionante neste setor esportivo. Mas a Aphas trabalha hoje em várias frentes envolvendo jovens e adolescentes em muitas atividades. Temos o programa Maria Cinderela, que é para meninas e vem realizando coisas fantásticas destacando o reconhecimento, autoestima, valorização da menina de bairros carentes. Tivemos a mostra Retratos da Terra, que contou com fotos tiradas pelas meninas do projeto. Elas passaram por um curso e colocaram em prática neste evento. Temos ainda o “Se Esta Rua Fosse Minha”, que trabalha com meninos e meninas mais novos. São trabalhos de educação para incentivar autoestima, cidadania, entre outras várias experiências. Temos programas voltados para a senhoras idosas, que faz um trabalho de socialização com elas. Estas idosas produzem artesanato. Algumas destas mulheres enfrentam problemas no ambiente familiar e encontram aqui uma saída para os problemas. O artesanato produzido por elas é exposto em bazares pela cidade e as obras que elas fazem estão em vários pontos de Poços. Onde tiver um bazar vai ter uma peça produzida na Aphas. O dinheiro arrecadado com a venda das peças produzidas por elas ajuda até mesmo outro programa da entidade e também é usado para compra de material para elas usarem na produção das peças.

 

Mantiqueira - Como funciona o trabalho com jovens dependentes?

 

Padre Graziano Cirina - Temos este trabalho há algum tempo que visa lidar com jovens e adolescentes que estão enfrentando o desafio de terem caído na dependência de drogas. Estamos ligados à Secretaria de Saúde e temos uma unidade de acolhimento infanto-juvenil que recebe estes jovens e procura reintegrá-los à sociedade. Trata-se de um trabalho muito importante, muito bonito, mas também muito difícil de ser realizado, mas temos uma equipe muito grande que faz de tudo para ajudá-los. Recentemente, conseguimos um veículo que está nos ajudando demais com a locomoção para competições esportivas, além da locomoção das senhoras do artesanato, das meninas do Maria Cinderela. Com este veículo é possível realizarmos passeios, como a visita que as meninas vão fazer ao Masp, em São Paulo. São jovens que sequer tinham conhecimento que existia um museu de arte contemporânea em São Paulo e agora vão conhecer ao vivo. A gente procura a cidadania, não é fácil crescer, não é fácil manter o propósito, mas a batalha segue.

 

Mantiqueira - O que ainda a Aphas vai oferecer?

 

Padre Graziano Cirina - Temos um projeto para ensinar música, mas este ano não conseguimos levar adiante. Tivemos problemas com a grande perda de um professor que estava encabeçando o projeto. Um jovem instrutor de guitarra que aos 25 anos morreu de acidente e por isto precisamos reestruturar este projeto e retomar os trabalhos para dar mais este serviço para a comunidade. Enfim, a Aphas vai caminhando bem, muita gente, uma grande diretoria, uma ótima equipe de voluntários e assim vamos crescendo. São 12 anos de muito trabalho e dedicação com programas abertos para toda a cidade. Claro que a grande maioria dos atendimentos é dos bairros São José e vizinhos, como Centenário, Bandeirantes, entre outros.

 

Mantiqueira - O que o senhor mais deseja para a Aphas?

 

Padre Graziano Cirina - Muitas coisas em prol da comunidade através da Aphas. Uma meta que achava que seria mais fácil favorecer o ingresso dos meninos no futebol profissional, mas vimos ao longo dos anos que não é uma jornada fácil. Percebemos outro trabalho dentro de Poços de Caldas que estamos fazendo parte, mas não é fácil a visibilidade para dar saltos maiores. Temos talento brotando no nosso esporte e aqui na Aphas é diferente. Temos um garoto que começou conosco, treinando com o Darci, e hoje aos 16 anos está jogando futebol na Holanda e se destacando bastante. Mas queríamos que tivéssemos um retorno com estes meninos. Talvez um reconhecimento de clube formador perante a CBF. Não é fácil, mas estamos buscando meios para conseguir este reconhecimento.

Mantiqueira - O senhor tem projetos para melhorias no campo de futebol?

 

Padre Graziano Cirina - Estamos pensando em meios de fazer sim esta melhoria, principalmente no gramado. Vamos tentar apoio para estas melhorias e queremos colocar uma grama artificial e iluminação. É um sonho que estamos correndo atrás, num desejo que não é impossível. A Aphas segue em 12 anos de muita batalha e vemos que estamos no caminho certo, com muitas conquistas que vieram através de muita luta. Por isto acredito que vamos conseguir as melhorias no campo de futebol. Queremos manter tudo bem para atender melhor ainda. Uma boa organização e uma boa estrutura é o caminho para um bom atendimento. 

Por Paulo Vitor Campos - Jornal da Mantiqueira